Se voltar a cair no pregão nesta segunda-feira, Bolsa poderá ter o pior mês desde setembro de 2002, durante a tensão com as eleições
Para economistas, continua a preocupação do mercado com a inflação global e a valorização do petróleo; dólar recua para R$ 1,595
A desvalorização da Bovespa neste mês tem assustado muitos investidores. Em junho, faltando apenas um pregão para o mês se encerrar, as perdas chegam a 11,39%. Até o momento, esse é o pior resultado mensal em mais de quatro anos.
A Bovespa conseguiu escapar de mais uma baixa na sexta-feira (subiu 0,59%), enquanto as Bolsas caíram mais um pouco lá fora. O índice Dow Jones fechou em baixa de 0,93%, o que elevou suas perdas mensais a 10,22%. A Nasdaq caiu 0,25%, com baixa mensal de 8,21%.
Desde abril de 2004, quando a Bolsa acumulou baixa de 11,45%, não se via um mês tão ruim. E, se a Bovespa voltar a recuar nesta segunda-feira, junho poderá ser o mês com pior desempenho desde setembro de 2002, quando o mercado foi abalado pela tensão que marcou as eleições que levaram o presidente Lula ao poder.
A Bolsa de Valores de São Paulo não tem conseguido se isolar do cenário econômico mundial mais adverso, marcado pelo enfraquecimento das principais economias e indesejáveis pressões inflacionárias, que têm derrubado os mercados acionários. Na semana, a Bolsa paulista sofreu queda de 0,45%. Houve apenas 18 valorizações entre as 66 ações que compõem o índice Ibovespa.
“Muito estresse, essa foi a tônica da semana. A continuação da preocupação com a inflação global, a valorização do petróleo e principalmente a expectativa quanto à decisão da política monetária do Fed definiram a volatilidade ao longo desses dias. Ao decidir pela manutenção dos juros, o BC dos EUA demonstrou que a preocupação com a inflação, que antes estava em segundo plano, voltou à tona”, afirma Marcelo Moreira, da corretora Coinvalores.
O mercado financeiro internacional tem lidado com crescentes temores em relação à alta dos preços, que pode levar os bancos centrais a iniciarem um ciclo de elevação dos juros -o que sempre é prejudicial às Bolsas de Valores. Para piorar as expectativas, ainda há muitas dúvidas em relação à saúde das instituições financeiras, especialmente nos Estados Unidos. O setor sofreu muito com a crise do subprime (crédito imobiliário de alto risco), que eclodiu no ano passado.
As ações da Petrobras foram importantes para a Bovespa escapar da baixa sexta-feira. Os papéis da companhia petrolífera subiram 0,89% (preferenciais) e 0,36% (ordinários), com o petróleo negociado em Nova York acima da barreira recorde de US$ 140. Para quem investe em ações da Petrobras, a semana foi animadora.
Mesmo com o atual cenário negativo, as ações da companhia tiveram alta semanal de 5,03% (PN) e 4,96% (ON).
Na semana, o setor elétrico foi o destaque. Das 10 maiores altas do Ibovespa, 6 foram de papéis do segmento.
No topo apareceu a ação ON (ordinária) da CPFL Energia, que subiu 10,51% na semana. Em seguida, vieram Eletrobras ON (alta de 9,32%), Transmissão Paulista PN (9,23%) e Cesp PNB (7,84%).
De notícia no setor, sexta-feira a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) licitou 12 lotes de linhas de transmissão e subestações de energia elétrica.
Dólar baixo
No mercado de câmbio, o cenário tem sido diferente. Isso porque o dólar segue se enfraquecendo no exterior diante de moedas como o euro. Dessa forma, o real tem se mantido apreciado.